As preocupações com segurança, curiosamente, são um dos principais motivos que continuam a originar atrasos na implementação global dos Passaportes Electrónicos, ou ePassports – que surgiram justamente para colmatar os enormes problemas de falta de segurança nos documentos de identificação tradicionais. Esta continua a ser assim uma das grandes oportunidades de mercado para muitas empresas, ao mesmo tempo que demonstra bem os enormes desafios que alguns conceitos de informação conectada a nível global podem continuar a enfrentar.

“Uma multitude de obstáculos continua a atrasar a implementação dos ePassports, comparativamente a outros sistemas de identificação electrónica. A principal dúvida é se a necessidade de reforço da segurança nas fronteiras algum dia irá conseguir ser mais premente do que os obstáculos que continuam a ser levantados”, afirma a empresa de estudos de mercado IHS Technology no seu relatório “E-Government & Healthcare ID Cards - 2014”.

Ninguém tem dúvidas de que a emissão de passaportes electrónicos inteligentes (ePassports) é uma arma fundamental no combate ao terrorismo e crime internacional, tornando mais difícil flasificar estes documentos e assim facilitar a livre circulação de pessoas. No entanto, a sua implementação tem encontrado forte resistência, a começar pela oposição política e pelo excesso de burocracia.

Os passaportes electrónicos vieram substituir os tradicionais documentos simples em papel que anteriormente eram emitidos pelos países, acrescentando um chip microcontrolador que contém a informação biométrica usada para comprovar a identidade dos viajantes. Estes chips empregam o mesmo tipo de tecnologia há muito generalizada em cartões de transacção e cartões de acesso a edifícios, por exemplo, permitindo nomeadamente a transferência sem fios e sem contacto dos dados de identificação. A informação biométrica usada por diferentes países e que se encontra armazenada nestes dispositivos inclui reconhecimento facial, impressões digitais e, nalguns casos, reconhecimento da íris.

De acordo com o estudo de mercado recentemente publicado pela IHS Technology, os passaportes electrónicos estão a ser emitidos ao ritmo mais lento desde que começaram a ser implementados, apesar da sua capacidade comprovada de resposta aos riscos de segurança acrescidos nos aeroportos e fronteiras. A emissão global de ePassports irá continuar a crescer para 175 milhões de unidades em 2019, evoluindo dos 113 milhões emitidos em 2013, o que representa um crescimento anual de 7,6% durante seis anos. Menos do que aquilo que sempre se antecipou.

Apesar de a generalização dos passaportes electrónicos permanecer inquestionável, este é o crescimento mais lento até agora registado no mercado de sistemas de identificação electrónicos governamentais a nível mundial, numa era em que se estão a generalizar outras formas mais comuns de controlo de acesso e identificação de pessoas no seu dia a dia.

Em comparação, os sistemas de identificação electrónicos utilizados nas vulgares cartas de condução, cartões de saúde e documentos de identidade nacionais estão a crescer dois dígitos e prevê-se inclusivamente a sua implementação acelerada até 2019. A emissão de passaportes electrónicos, por seu lado, representa apenas metade do ritmo de implementação de documentos de identificação nacionais equivalentes, por exemplo.

“Os programas de implementação de passaportes electrónicos continuam a enfrentar sérios obstáculos, começando nos atrasos de legislação e instabilidade governamental de alguns países, até à oposição política e motivações económicas”, explica Wincey Tang, analista especializado em sistemas de segurança digital da IHS.

Entre os países que têm vindo a implementar os passaportes electrónicos de forma mais entusiástica, está a Austrália, onde se prevê que, até ao final de 2015, a maioria dos passaportes emitidos já contenham microcontrolador. Outros países como a Áustria, Dinamarca, Itália, Malásia e Filipinas, estão entre os mercados onde os ePassport estão mais generalizados. Em contraste, os países onde a implementação está mais atrasada incluem a Índia – que recentemente falhou o prazo previsto para começar a emitir ePassports – ou a Alemanha, onde este tipo de iniciativas enfrenta uma enorme resistência política.

Curiosamente, é na região da Ásia e Pacífico que os passaportes electrónicos estão mais generalizados, representando 40% do mercado global, seguindo-se a Europa com 32%. O Médio Oriente e África representam apenas 8% dos ePassport emitidos até ao final de 2013.
 
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