Até bem recentemente, a promessa de um ecossistema de dispositivos interligados entre si e através da Internet foi sendo desenhado em múltiplos cenários nem sempre muito claros, levando a que o mercado tenha andado a “patinar” à volta das promessas IoT em aplicações industriais, automação doméstica e pouco mais.
 
De repente, a Apple fez um anúncio que deixou todo o mercado entusiasmado, basicamente deixando explícito na sua mensagem à comunidade de programadores que se reuniram em São Francisco para a sua conferência WWDC 2014 que as suas plataformas e sistemas operativos vão oferecer já ferramentas de programação SDK e milhares de APIs que abrem caminho à integração de dispositivos IoT de qualquer tipo, com as plataformas Mac OS X e iOS. Este anúncio deixou bem claro à Google e muitas outras empresas que se preparavam já para começar a criar ecossistemas fechados de hardware e software – incluindo através de aquisições sucessivas – que o mercado prometido da Internet das Coisas ou IoT vai arrancar a sério.
 
Sem surpresas, as empresas de estudos de mercado apressaram-se a fazer projecções sobre o potencial impacto que este anúncio da Apple teve sobre toda a comunidade electrónica. De acordo com a estimativa da ABI Research, as empresas de desenvolvimento de soluções IoT deverão ultrapassar os 3 milhões em 2019, abrindo entretanto caminho a um autêntico renascimento do hardware.
 
A ABI Research calcula que o número actual de empresas de desenvolvimento a trabalhar em actividades relacionadas com a Internet of Things (IoT) irá rondar os 1,7 milhões no final de 2014, devendo assim a quantidade de empresas envolvidas duplicar daqui até 2019. Se por um lado até parece pouco, basta comparar com o sector do software que actualmente possui mais de 17 milhões de empresas. Mas tendo em conta os anúncios que foram feitos pela Apple, será normal até que o número de programadores e empresas de software também venha a crescer exponencialmente, assim que se começarem a fazer sentir os resultados entre as aplicações desenvolvidas com recurso às poderosas ferramentas de software agora disponibilizadas pela Apple e o mundo open-hardware.
 
De acordo com Aapo Markkanen, analista da ABI, “actualmente, a actividade IoT ainda está largamente polarizada por hobbyistas e entusiastas de um lado e empresas de desenvolvimento pelo outro. Mas através da combinação certa de ferramentas, vamos assistir a um número crescente de startups que irão agora dar o salto comercial e vão poder começar a criar conceitos de produtos que já antes tinham prototipado em Arduino ou Raspberry Pi. Essa produtização, no entanto, não vai ser fácil uma vez que se exigem múltiplas aptidões para se ter sucesso”.
 
Os principais factores de produtização, de acordo com a ABI, incluem plataformas em cloud e kits de desenvolvimento específicos que tornem os ecossistemas IoT acessíveis a indivíduos e empresas com boas ideias mas que poderiam de outras forma estar separados entre si em termos de recursos – exactamente o que a Apple anunciou recentemente. Por outro lado, plataformas de desenvolvimento como a placa Galileo da Intel e as soluções como a WunderBar da relayr, podem ajudar a acelerar o aparecimento de novos conceitos IoT acelerando o surgimento de novo hardware.
 
No estudo “IoT Developer Ecosystem” desenvolvido pelo departamento Internet of Everything Research Service da ABI Research, destacam-se outros factores que podem ajudar a desenvolver o mercado, tal como o aparecimento de novos sensores, impressoras 3D acessíveis, assim como o papel das plataformas de financiamento por crowdfunding – que actualmente estão a ajudar a viabilizar todos os conceitos pioneiros mais orientados para o mercado de consumo. No seu conjunto, todos estes factores podem agir como blocos de construção para criar uma estrutura sólida de inovação hardware.
 
Segundo explica outro dos autores do estudo da ABI Research, Dan Shey, “depois de toda a conversa sobre o hardware estar a comodotizar-se de forma irreversível e de o software “dominar o mundo”, afinal estamos a assistir uma tendência contrária na tecnologia, em grande parte alimentada pelas aplicações IoT de consumo. Os consumidores vão ignorar qualquer coisa que não seja desenhada de forma inspirada e produzida de forma robusta. Qualquer empresa de desenvolvimento de soluções IoT vai ter que saber combinar uma oferta atraente em ambos os domínios se quiser ter sucesso. Neste sentido, podemos vir a um novo renascimento do hardware graças à Internet das Coisas”.
 
  > Consultar e encomendar o estudo “IoT Developer Ecosystem” da ABI Research