A Sony tem estado no centro das atenções da comunidade científica assim como de toda a comunidade de imagem com o anúncio de uma nova geração de sensores CMOS curvos – tal como o olho humano – o que permitia melhorar bastante a sensibilidade à luz e permitir implementar lentes ainda mais simples.

Em termos simples, basta dizer que a actual tecnologia de câmaras se baseia em sensores planos que captam a luz através de lentes e objectivas (compostos de lentes) que são necessariamente elementos esféricos para tornar a convergência da luz possível, com todas as aberrações ópticas e cromáticas que daí advêm. Esta nova geração de sensores CMOS curvos assemelha-se mais à curvatura natural da retina humana (ver gráfico), tornando possível um aproveitamento directo da convergência da luz incidente, provocada pelas lentes, com todas as consequências resultantes ao nível de sensibilidade e relação sinal-ruído.

O desenvolvimento foi inicialmente revelado em Abril de 2014 durante um simpósio sobre tecnologia e circuitos VLSI no Havai, onde Kazuichiro Itonaga, responsável da Sony pela investigação mostrou aliás a imagem do sensor CMOS curvo que reproduzimos e que tem sido divulgada desde então. No anúncio, a Sony informava que tinha conseguido já produzir mais de 100 sensores desse tipo, indicando estar bastante próximo da produção industrial.

Para conseguir produzir um sensor curvo, a Sony terá conseguido aperfeiçoar então um sistema de produção que elimina o stress provocado nos materiais pela curvatura, reforçando neste caso o sensor com um material cerâmico para maior durabilidade.
Aparentemente a Sony está a implementar este tipo de sensores em dois formatos diferentes, um para câmaras digitais, num formato full frame com 43mm de diagonal e outro orientado para smartphones, com 11mm de diagonal – equivalente a um sensor de 2/3 de polegada. Este sensores permitiriam obter para já uma sensibilidade 1,4 vezes superior no centro e duas vezes superior nos extremos, de acordo com o paper divulgado pela Sony no evento já referido.

A geometria curva do sensor permitirá utilizar lentes mais planas e simples de produzir, com maiores aberturas, permitindo passar mais luz para o sensor e tendo menos aberrações uma vez que a incidência da luz seria praticamente directa em vez de oblíqua. Além disso, o formato curvo permite reduzir o ruído gerado pela corrente que flui através de cada pixel, mesmo quando este não recebe luz externa (o denominado efeito “dark current”).

De acordo com Kazuichiro Itonaga, este conceito está pronto a tornar-se uma realidade comercial. Sendo um sensor que exige um sistema de objectivas totalmente novo, será natural que estes sensores curvos venham a ser implementados em primeiro lugar em smartphones e novas câmaras com objectiva fixa, exigindo igualmente menos elementos ópticos que normalmente se destinam a compensar as aberrações geométricas da convergência necessária.
 
  > Para já não existe ainda qualquer comunicado oficial da Sony sobre este novo sensor, mas quando surgir será seguramente aqui